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terça-feira, 11 de outubro de 2022

DESAFIOS ENFRENTADOS PARA GARANTIR O DIREITO À EDUCAÇÃO PROFISSIONAL DE JOVENS

          A Constituição Federal em seu artigo 227 dispõe que "É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda a forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e pressão".

Em vista disso, o trabalho realizado por crianças e adolescentes de forma indiscriminada e abaixo da idade mínima permitida enseja danos irreparáveis à criança e adolescente, ocasionando prejuízos físicos, psíquicos e sociais. Contudo, contrariando todas as expectativas depositadas ante a temática, o labor irregular do menor ainda é realidade no Brasil.

De acordo com Adriana Leandro de Sousa Freitas o uso da mão de obra adolescente é registrado em período anterior a era cristã e vem sendo explorado ao longo de toda evolução humana. A necessidade material decorrente da pobreza ou da ausência de condições econômicas apropriadas para o sustento se tornam a principal causa do labor irregular infantil.

Diante da dura realidade enfrentada por jovens brasileiros, o direito a profissionalização se torna um suporte para mitigar a problemática. Nesse espeque, o direito à profissionalização e proteção ao trabalho se encontra resguardado pela Lei nº 8.069/1990.

Conceitualmente, aprendizagem é um processo de formação profissional técnico para adolescentes e jovens entre 14 e 24 anos que que exercem atividades produtivas dentro de uma instituição ou empresa por meio de contrato de aprendizagem, em conformidade com as diretrizes da Lei nº 10.097/2000.

A aprendizagem profissional cria oportunidades tanto para aprendizes quanto para empresas, pois permite que os jovens desenvolvam habilidades profissionais sem comprometer a educação básica e, além disso, beneficia a mão de obra de instituições e empresas.

Entretanto, o que não pode ser deixado de considerar é que a inclusão do adolescente no mercado de trabalho de forma precoce é uma temática que requer maior reflexão, principalmente para aqueles que apresentam dificuldades e limitações de acesso aos direitos básicos.

A entrada no mercado de trabalho é marcada grandemente por desigualdades sociais, mais pobres ingressam mais cedo e em trabalho precário, muitas das vezes apresentam dificuldades em conciliar trabalho e estudo. Essas questões permanecem desafios e reforçam a necessidade de um diálogo mais próximo entre as diferentes entidades sociais para a resolução da problemática.

Ainda, cumpre realizar uma análise acerca do diálogo entre educação e trabalho. Hoje há grande dificuldade e não se vê preocupação em compatibilizar a formação básica/ média e profissional. Há pouca discussão no que diz respeito a importância do conteúdo básico escolar, que não prepara o jovem desde o banco escolar básico para temáticas que estimulem a percepção de suas aptidões. Para tanto, o conteúdo curricular deveria ser prensado em mostrar as aplicações da matéria aprendida no dia a dia em seu contexto, buscando despertar as reais aptidões do jovem.

Ainda assim, resta notório que empresas e corporações devem mudar sua mentalidade e passar a enxergar o aprendizado como um investimento positivo, uma vez que forma e desenvolve profissionais que possam avançar na empresa e irão atuar em conformidade com tais valores.

Ademais, apesar de já em desenvolvimento, resta notória a necessidade de investimento em políticas públicas que não ensejem a precarização e fomentem a criação, e incentivos a educação e profissionalização.

Nesse sentido, se os jovens precisam ingressar no mercado de trabalho o mais cedo possível, isso deve ser feito da forma mais positiva possível, com o processo de profissionalização acompanhado a educação e articulado ante a elevação da escolaridade e formação profissional cidadã. Assim, é importante haja uma inter-relação entre educação, profissionalização e políticas públicas para se permitir uma visão de futuro de adolescentes dentro do mercado.

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