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quinta-feira, 6 de outubro de 2022

A aprendizagem profissionalizante como meio para o combate ao trabalho infantil

 


Como já exposto nos demais textos aqui publicados, o trabalho infantil retroalimenta um sistema no qual as classes menos privilegiadas se mantêm na vulnerabilidade. Isso, pois, uma vez inserida na situação de exploração e perigo do trabalho infantil, a criança tem seus desenvolvimentos físico, psicológico e intelectual prejudicados e é, muitas vezes, privada de seu direito à educação. Dessa forma, aqueles os quais, por motivos financeiros, são submetidos ao trabalho desde criança tem menos chances de ascender profissionalmente, mantendo o ciclo da insegurança econômica. No entanto, não se pode fechar os olhos para o fato de que, em muitas famílias, as crianças são submetidas a tal exploração por extrema necessidade. Em muitos casos, o sustento do próprio explorado vem de seu trabalho, motivo pelo qual é difícil convencê-lo a parar com seu “ganha pão” para estudar.

Ocorre que, o Programa Jovem Aprendiz, instituído com a Lei 10.097/2000 no Brasil, pode ser um dos caminhos para tirar as crianças desse cenário de exploração. A aprendizagem profissional consiste em projeto que permite que jovens a partir de 14 anos trabalhem como aprendizes nas empresas, recebendo formação técnico-profissional, mantendo seu acesso à escola e tendo contato direto com o mercado de trabalho, além do registro na carteira de trabalho e proteção de seus direitos tal como impõe a lei. Assim, tal projeto se mostra como grande mecanismo ao combate ao trabalho infantil e seus efeitos, vez que o adolescente aprendiz não só trabalha e recebe seu salário, mas tem condições de concluir os estudos na escola regular e receber capacitação profissionalizante.

Ainda, após o contrato de trabalho, é emitido um certificado de qualificação e há a possibilidade de efetivação como trabalhador formal na empresa em que foi feita a aprendizagem profissionalizante. Ou seja, o jovem pode conquistar sua autonomia financeira, podendo bancar seus gastos pessoais ou ajudar nas despesas familiares. Dessa forma, o ciclo de marginalização e vulnerabilidade pelo qual passam as famílias mais pobres pode ser interrompido.

Ademais, os benefícios extrapolam o campo individual e afetam a toda a sociedade, já que os jovens são protegidos de eventuais desvios de conduta, como a criminalidade, sendo a eles oferecida a oportunidade de um amadurecimento pleno tanto enquanto profissional quanto cidadão.

Autora: Ana Vitória Oliveira Castro

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