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segunda-feira, 16 de maio de 2022

Danos causados pelo trabalho infantil, entre consequências físicas, psíquicas e sociais

 

Muitas crianças e adolescentes por conta de viverem em condições de insegurança financeira, são obrigadas a trabalhar mesmo que isso traga graves consequências à sua saúde física e mental. Não é imaginado por muitas pessoas os danos que o trabalho precoce infringe sobre o indivíduo e por isso ele, em diversas ocasiões é legitimado inclusive pela própria família, por conta da situação de vulnerabilidade social que atinge os lares brasileiros.  

As crianças que são obrigadas a trabalhar enfrentam maiores dificuldades na ocupação dos postos de trabalho, em decorrência da não conclusão do desenvolvimento corporal. Uma vez que ainda não finalizaram o desenvolvimento de sua estrutura óssea e muscular, quando submetidas ao trabalho podem prejudicar seu completo crescimento, além de ficarem suscetíveis a deformação e fadiga muscular. Outro prejuízo fisiológico é, por possuírem o pulmão em formação as crianças apresentam frequência respiratória mais elevada que os adultos e, em ambientes insalubres, com substancias tóxicas, acabam absorvendo-as em maior quantidade, o que leva a uma intoxicação mais veloz quando comparada à de um adulto. Outro ponto físico é a elevada frequência cardíaca das crianças, que as deixam cansadas em uma velocidade muito maior em comparação com adultos, em casos graves o esforço pode a levar a desidratação. Tudo isso aliado ao fato de que equipamentos de proteção são confeccionados para a utilização de pessoas adultas, e caso colocados em uma criança não têm eficiência por não estarem adequados a seu tamanho, o que causa graves acidentes mostra como as condições físicas de trabalho são extremamente degradantes nessa faixa etária.  

Além das consequências ao corpo o trabalho infantil também impacta a esfera psicológica dos jovens que o exercem, por serem submetidos a atividades laborais de grande desgaste e muita pressão, a carga do trabalho leva ao desenvolvimento de quadros crônicos de insônia, o que aumenta a irritabilidade e dores de cabeça, sem um sono adequado também são extremamente prejudicadas as capacidades de concentração e memorização, tornando o aprendizado escolar praticamente impossível. Com dificuldades na escola e o peso do trabalho muitos jovens começam a apresentar quadros depressivos, de tristeza, ansiedade, insegurança.  

Junto com todos efeitos individuais, o trabalho infantil ainda causa efeitos na esfera social, sem uma escolaridade essas pessoas mesmo na vida adulta não conseguirão trabalhos que possibilitam uma ascensão social, perpetuando o ciclo de instabilidade financeira em que se encontram. Outro ponto observado é o da tríplice exclusão, no qual essas pessoas quando na fase da infância não podem realizar atividades típicas da faixa etária, como estudar e brincar, na fase adulta perdem oportunidades de trabalho e na velhice sofrem por conta da falta de condições dignas de sobrevivência. 

Desse modo, com a consciência dos danos que o trabalho infantil causa a sociedade e aos indivíduos em particular fica claro o porquê deve ser cada vez mais combatido, com mais canais de denúncia e mais importância midiática, a fim de que o sofrimento dessas pessoas possa ser mitigado e impedido de se perpetuar. 

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